Em uma conversa reveladora, Willem Avé, chefe de produto da Square, mergulha no futuro do dinheiro e como a inteligência artificial (IA) está moldando as transações e a gestão de pequenos negócios. Desde seu início com o icônico leitor de cartão de entrada para fone de ouvido do iPhone, a Square evoluiu para uma plataforma de comércio robusta, atendendo desde feirantes a grandes estádios.

A Evolução da Square: De Leitor de Cartões a Plataforma Abrangente
A jornada da Square é um testemunho da adaptabilidade no cenário tecnológico. Willem Avé destaca que a empresa sempre buscou simplificar a aceitação de pagamentos, evoluindo de leitores Bluetooth para hardware dedicado e, mais recentemente, para a funcionalidade “tap-to-pay” diretamente em celulares. Esta facilidade de uso é o pilar para ajudar empreendedores a expandir seus negócios, oferecendo ferramentas que vão desde a gestão de inventário até o gerenciamento de equipes, garantindo que “um vendedor nunca ultrapasse a Square”.
Reestruturação da Block: Sinergia e Desafios com a IA
A Square, agora parte da Block (empresa-mãe de Jack Dorsey), passou por uma reestruturação funcional que alinha recursos de engenharia, produto e design em todas as suas unidades – incluindo Cash App, Afterpay e até mesmo o serviço de streaming de música Tidal. Avé explica que essa nova estrutura, embora possa parecer um desafio de alocação de recursos, tem como objetivo criar uma “única e compartilhada roadmap” que impulsiona a inovação, especialmente na área de IA. O foco é automatizar processos tanto para os produtos voltados para o cliente quanto para as operações internas da empresa.
IA para Pequenas Empresas: Automatizando Decisões Financeiras
Para Avé, a IA representa uma “mudança sísmica” comparável ao advento dos dispositivos móveis. Ele enfatiza que o verdadeiro valor da IA para pequenas empresas reside na sua capacidade de transformar dados complexos em insights acionáveis. Em vez de interfaces repletas de botões e gráficos, os sistemas de IA permitem que os proprietários de negócios façam perguntas em linguagem natural sobre seus dados de vendas – por exemplo, “as gorjetas aumentam em dias de chuva?”. A inovação crucial, segundo Avé, é a hibridização da IA, onde grandes modelos de linguagem (LLMs) são conectados a sistemas determinísticos (como SQL) para garantir respostas precisas e evitar “alucinações”. Isso permite automação significativa e interfaces gerativas, onde o próprio usuário define as ações desejadas, como um ajuste de preço em massa, sempre com a possibilidade de revisão e aprovação humana.
O Enigma do Dinheiro Digital e Criptomoedas
O cenário financeiro atual é incomum, com o interesse crescente em finanças descentralizadas, criptomoedas e a descontinuação do centavo nos EUA. A Square, com grandes reservas de Bitcoin, busca oferecer aos comerciantes a opção de transacionar em criptomoedas, embora a velocidade da rede principal do Bitcoin ainda seja um desafio, superado pela rede Lightning. Avé defende a missão da Square de “ajudar os vendedores a aceitar qualquer tipo de pagamento”, dando-lhes a escolha de como transacionar e liquidar, seja em fiat ou cripto. No entanto, ele reconhece que o volume de transações em Bitcoin ainda não é significativo, com a maioria dos comerciantes interessados em converter vendas para Bitcoin, impulsionados pela filosofia de “número sobe”.
O Adeus ao Centavo Americano: Impactos e Adaptações
A descontinuação do centavo americano, que impactará as transações de caixa da Square (que movimenta cerca de 16,7 milhões de centavos semanalmente), não é uma novidade para a empresa. Willem Avé explica que a Square já lida com sistemas de arredondamento em países como Canadá e Austrália, o que facilita a transição para os comerciantes dos EUA. Ele antecipa que as mudanças serão “nominais” e não afetarão significativamente o comportamento da indústria ou os volumes de transação.
A visão de Willem Avé para a Square, sob a alçada da Block, é clara: democratizar a tecnologia, tornando-a acessível para todos os tamanhos de negócios, utilizando a IA para automatizar e otimizar operações, e oferecendo flexibilidade no futuro do dinheiro. O desafio está em equilibrar a velocidade da inovação com a garantia de sistemas robustos e confiáveis, sempre colocando as necessidades do cliente em primeiro lugar.
Fonte: The Verge

