Músicos fartos de clones de IA: a revolta na indústria musical

A revolta cresce na indústria da música, com artistas expressando abertamente seu cansaço e indignação com a proliferação incessante de clones de IA. O que começou como uma curiosidade tecnológica transformou-se num problema sério, afetando a integridade artística e os rendimentos de muitos. A cada dia, mais e mais faixas falsas, geradas por inteligência artificial, aparecem nas plataformas de streaming, imitando vozes e estilos de artistas renomados e emergentes.

A Ascensão dos Clones e a Indignação dos Artistas

Desde 2023, com o surgimento de múltiplas faixas falsas de Drake, o cenário tem piorado drasticamente. Nomes como Beyoncé, o compositor experimental William Basinski e a banda King Gizzard and the Lizard Wizard já foram vítimas. William Basinski, por exemplo, viu uma música de reggaeton gerada por IA ser erroneamente atribuída a ele no Spotify, classificando a situação como “total bullshit” e “uma bagunça”. Outros artistas, como Luke Temple do Here We Go Magic e Steve Lukather do Toto, partilham do mesmo sentimento, chamando a situação de “vergonhosa” e “terrível”.

A facilidade de criar conteúdo com IA é um fator chave. Mesmo com plataformas como Suno sendo projetadas para ignorar prompts específicos de artistas, gerar músicas inteiras com apenas algumas palavras é simples. A situação se agrava com a manipulação de gráficos de vendas, onde faixas como “Breaking Rust”, acusada de clonar a voz de Blanco Brown, alcançaram o topo de paradas digitais com pouquíssimas compras, gerando manchetes enganosas.

William Basinski diz que o sistema atual é “uma bagunça”.

| Imagem: Getty Images for Prada

Os Desafios do Sistema de Distribuição e a Luta por Regulação

A raiz do problema reside, em parte, no sistema de distribuição de música. Plataformas como o Spotify não recebem conteúdo diretamente; a música é enviada através de serviços de terceiros, como o DistroKid. A falta de triagem robusta nestes serviços permite que impostores subam facilmente faixas geradas por IA. Deezer reporta que cerca de 50.000 faixas geradas por IA são enviadas diariamente, representando mais de 34% do total de música.

A resposta da indústria tem sido mista. Spotify removeu milhões de faixas de spam e formalizou políticas contra a falsificação, mas a escala do problema é esmagadora. Enquanto algumas grandes gravadoras, como a Warner, estão explorando parcerias com empresas de IA generativa, muitos músicos se unem em oposição. A United Musicians and Allied Workers (UMAW) classificou a música de IA como “exploração” e defende a “Lei do Salário Digno para Músicos”, que garantiria royalties apenas para artistas humanos.

Por outro lado, a iHeartRadio tomou uma posição firme em defesa da criatividade humana, prometendo nunca tocar músicas geradas por IA com vocalistas sintéticos ou usar personalidades de IA no ar. Até mesmo Holly Herndon, uma musicista que utiliza IA em sua própria obra, alerta para a exploração e a falta de consideração das empresas de IA sobre os direitos dos artistas.

Conclusão: A Necessidade de Vigilância na Era da IA

O debate sobre o uso de clones de IA na música é complexo, tocando em questões de autoria, compensação justa e o próprio significado da arte. Como em vídeos e fotos, é crucial que consumidores e artistas abordem o conteúdo musical com ceticismo. A regulação e a educação serão fundamentais para garantir que a criatividade humana continue a prosperar, protegendo os criadores de serem ofuscados ou explorados por algoritmos.

Fonte: The Verge

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