O Perigoso Mercado das Drogas Emagrecedoras Não Aprovadas

O cenário da saúde e bem-estar online se tornou um verdadeiro “Velho Oeste”, onde a busca por soluções rápidas para perda de peso abriu as portas para as drogas emagrecedoras não aprovadas. Influenciadores digitais têm promovido substâncias experimentais, como a retatrutida (apelidada de “GLP-3”), ignorando os sérios riscos à saúde e a falta de aprovação por órgãos reguladores como a FDA.

Apesar das promessas de emagrecimento rápido, a realidade por trás desses produtos é bem diferente: um mercado cinzento perigoso e sem qualquer tipo de fiscalização, onde a saúde dos consumidores é colocada em risco por produtos que não passaram pelos rigorosos testes de segurança.

A Ascensão das Drogas Emagrecedoras Não Aprovadas no Mundo Digital

Seja Ozempic, Wegovy, Zepbound ou Mounjaro, esses nomes já são conhecidos. Mas, o que dizer da retatrutida, o popular “GLP-3”? Nas redes sociais, especialmente TikTok e Instagram, influencers têm divulgado essa substância com entusiasmo, chamando-a de “Ratatouille” para driblar os algoritmos. Eles compartilham “dicas de dosagem” e direcionam seguidores para “fornecedores confiáveis” com códigos de desconto, muitas vezes sem mencionar que a droga não é aprovada.

Entre os promotores estão até fisiculturistas, que afirmam buscar apenas a otimização corporal. Muitos se apressam em adicionar que não são profissionais da saúde e que o conteúdo é “apenas para fins educacionais ou de pesquisa”. No entanto, a facilidade de acesso a essas drogas emagrecedoras não aprovadas é alarmante.

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A loucura em torno do “GLP-3” online é um exemplo clássico do Velho Oeste do bem-estar. | Imagem: Cath Virginia / The Verge, Getty Images

Retatrutida: Uma Promessa Experimental Sem Aprovação Médica

A retatrutida, desenvolvida pela Eli Lilly, é um medicamento experimental que ainda está em fase três de testes clínicos. Diferentemente de semaglutidas (GLP-1 agonistas) e tirzepatidas (GLP-1 e GIP agonistas), a retatrutida é uma molécula única que mimetiza GLP-1, GIP e glucagon – daí o apelido “GLP-3”. Resultados preliminares mostram uma significativa redução do apetite e perda de peso. No entanto, sua aprovação pela FDA está longe de ser garantida.

Dr. Michael Weintraub, endocrinologista da NYU Langone, alerta: “Esta é uma medicação que ainda não foi totalmente estudada. É um mecanismo totalmente novo e não temos nenhuma medicação análoga para sequer observar o potencial efeito desta família de medicamentos que afeta o receptor de glucagon. Poderiam existir muitos efeitos colaterais indesejados ou eventos adversos que ainda não conhecemos”. Sete ensaios clínicos adicionais estão previstos para terminar apenas em 2026, destacando a incerteza que cerca essa substância.

Os Perigos do Mercado Cinzento de Medicamentos para Perda de Peso

A única forma legítima de obter retatrutida é participando dos ensaios clínicos da Eli Lilly. No entanto, o que é vendido online vem de revendedores duvidosos ou farmácias de manipulação. A manipulação de medicamentos, embora tenha usos legítimos, não tem a mesma supervisão da FDA e é proibida para produtos não aprovados, como a retatrutida.

A FDA já emitiu alertas contra a venda de drogas emagrecedoras não aprovadas, incluindo a retatrutida, por farmácias de manipulação. A agência enfatiza que “estes não são componentes de medicamentos aprovados pela FDA e não foram considerados seguros e eficazes para qualquer condição”. A falta de controle de qualidade nesses mercados pode levar a dosagens incorretas, produtos mal armazenados ou com ingredientes não testados, aumentando drasticamente o risco de efeitos adversos e hospitalizações.

“Qualquer aplicativo, qualquer site, qualquer empresa que esteja anunciando que está produzindo ou vendendo retatrutida não pode ser confiável.”

Dr. Michael Weintraub, endocrinologista da NYU Langone Diabetes & Endocrine Associates

A Batalha Regulatória Contra a Desinformação Digital

No Congresso, o “Safeguarding Americans from Fraudulent and Experimental (SAFE) Drugs Act of 2025” busca proteger pacientes de medicamentos manipulados em massa e não testados, com foco especial nos GLP-1s. Influenciadores e vendedores do mercado cinzento tentam descreditar essa legislação como uma conspiração da “Big Pharma” para proteger seus lucros, ignorando que a regulamentação visa a segurança do consumidor e que eles próprios lucram com parcerias e códigos de afiliado.

A facilidade de comprar o “peptide-R” (versão do mercado cinzento da retatrutida) por apenas $117 online, sem qualquer comprovação de ser um pesquisador, demonstra o quão frágil é a fiscalização. A combinação de preços acessíveis e a sensação de um sistema de saúde “quebrado” alimentam essa narrativa, tornando as drogas emagrecedoras não aprovadas uma opção atraente, mas extremamente arriscada.

Em resumo, a popularidade das drogas emagrecedoras não aprovadas como a retatrutida nas redes sociais é um perigoso reflexo do “Velho Oeste do bem-estar”. A busca por soluções rápidas e baratas para perda de peso não pode ofuscar a necessidade de segurança e aprovação médica. É crucial que os consumidores busquem orientação profissional e evitem produtos que não passaram pelos rigorosos testes necessários para garantir sua eficácia e segurança.

Para mais informações sobre este tema, leia a matéria original em: The Verge

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