A campanha publicitária do Google para o Gemini, que mostra um fofo Gemini Ad Bicho de Pelúcia viajando pelo mundo, encantou muitos. No entanto, a tentativa da autora Allison Johnson de recriar essa magia com o brinquedo de seu próprio filho revelou uma realidade mais complexa sobre o uso da inteligência artificial.
A Caçada Digital por um Brinquedo Perdido com IA
A história da publicidade do Google gira em torno de pais usando o Gemini para “substituir” um brinquedo perdido, o Sr. Fuzzy, criando imagens e vídeos dele em aventuras pelo mundo. A autora tentou encontrar um substituto para “Buddy”, o veado de pelúcia de seu filho, usando o Gemini com fotos de diferentes ângulos. A IA ofereceu respostas “bananas”, com uma “redação” de mil e oitocentas palavras, considerando se Buddy era um cachorro ou coelho. No fim, a conclusão foi vaga, sugerindo que o brinquedo era da Mary Meyer, da coleção “Putty”, e descontinuado por volta de 2021. A pesquisa manual foi mais eficiente.

Criar Imagens e Vídeos de Brinquedos com IA
Recriar as fotos de aventura do Gemini Ad Bicho de Pelúcia foi mais complicado do que o anúncio sugere. A IA conseguia gerar imagens de “Buddy” no Grand Canyon, mas com detalhes inconsistentes, como o cinto de segurança e fones de ouvido do avião. Um pedido simples para uma “reunião de família” resultou em “Buddy” participando de uma reunião humana, interpretando o sobrenome da autora. Uma tentativa de criar a “família” de veados resultou em “deer reunion” em vez de uma cena mais natural.
Ética da Inteligência Artificial em Histórias Infantis
A criação de vídeos, embora bem-sucedida em alguns aspectos (ignorando as “antenas” que o Gemini persistia em adicionar ao veado), tem limitações diárias de uso e restrições para não gerar “deepfakes de bebês”. A parte mais perturbadora para a autora foi a IA gerando a voz do brinquedo dizendo o nome de seu filho. Isso levantou questões morais sobre mentir para as crianças com a ajuda da IA. A autora compara a situação à filosofia de Bill Watterson com “Calvin e Haroldo”, que recusava a comercialização para preservar a imaginação das crianças. A IA pode reescrever essa relação mágica entre criança e brinquedo.
O experimento de recriar o Gemini Ad Bicho de Pelúcia demonstra as capacidades impressionantes da IA, mas também as armadilhas e dilemas éticos que surgem ao usá-la em contextos sensíveis como a infância. A tecnologia pode nos ajudar a adiar a dor da perda, mas não sem questionar os limites da autenticidade e da imaginação.
Fonte: I re-created Google’s cute Gemini ad with my own kid’s stuffie, and I wish I hadn’t

