Park Chan-wook e o Assassino de Empregos: Um Thriller Atual

Em seu mais recente longa-metragem, *No Other Choice*, o aclamado diretor Park Chan-wook nos entrega um thriller hilário e sombriamente atual. A trama acompanha Man-su (interpretado por Lee Byung-hun), um patriarca que, após ser demitido de uma empresa de papel, decide eliminar a concorrência para um novo emprego. É aqui que ele se torna o temível assassino de empregos, em uma jornada que critica profundamente a lógica brutal do mercado de trabalho.

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Man-su (Lee Byung-hun) é um assassino infeliz.

A Intrincada Trama de um Assassino de Empregos Inesperado

Adaptado do romance “The Ax” de Donald Westlake, “No Other Choice” capta a ansiedade perpétua de viver sob um sistema econômico que extrai valor de seus trabalhadores. Park Chan-wook habilmente explora a ironia sombria de que, se uma corporação torna uma pessoa redundante, é estratégia; se um indivíduo faz o mesmo, é um crime. A narrativa mergulha na tragédia da vida moderna e na comédia de como Man-su tenta resolver seu dilema.

O filme, seguindo a linha de obras anteriores de Park como “Oldboy” e “A Criada”, prova mais uma vez que o diretor entende a inseparabilidade entre tragédia e comédia. O protagonista, Lee Byung-hun, encarna a desorientação e a brutalidade necessárias para a sobrevivência em um mundo de competição implacável, transformando-se em um assassino de empregos em busca de sua estabilidade.

A Perspectiva do Diretor: Desafios, Críticas e a Ascensão da IA no Cinema

Durante uma entrevista, Park Chan-wook revelou que levou 16 anos para concretizar “No Other Choice”. Originalmente, ele tentou produzi-lo em Hollywood, mas os estúdios duvidaram que o público acreditaria na premissa de um homem recorrendo a assassinatos por perder o emprego. O longo processo de produção, no entanto, permitiu a incorporação de um elemento crucial que tornou o filme ainda mais oportuno: a Inteligência Artificial.

A portrait of director Park Chan-wook
O diretor Park Chan-wook.

A presença da IA no desfecho do filme não só atualiza a história, mas também adiciona uma camada de ironia trágica aos esforços de Man-su. Ele elimina meticulosamente seus concorrentes humanos, apenas para enfrentar uma ameaça ainda maior e impessoal: a automação. Isso levanta a questão central do filme: de que adianta toda a violência e sacrifício se o futuro do trabalho está destinado a ser dominado por algoritmos? O diretor questiona a validade de tamanhos esforços quando o avanço tecnológico torna tudo inútil, transformando o “assassinato de empregos” em uma futilidade diante da inevitável IA.

Sobre o uso da IA no cinema, Park expressa sua esperança de que a tecnologia não substitua a criatividade humana. Ele reconhece a dificuldade para jovens cineastas, que podem se beneficiar de ferramentas de baixo custo, mas enfatiza a importância de ter uma voz autêntica e espontânea. Para ele, a sinceridade é o pilar fundamental para qualquer criador.

Park também compartilhou suas próprias dificuldades no início de sua carreira, quando seus dois primeiros filmes fracassaram nas bilheterias. Essa experiência de rejeição e a necessidade de se sustentar como crítico de cinema o levaram a refletir sobre a dor e a inveja, sentimentos que, sem dúvida, influenciam a profundidade de seus personagens.

Reflexões Atuais e Projetos Futuros

O filme de Park Chan-wook convida o público a se questionar: o que você faria para manter um certo padrão de vida para sua família, especialmente quando tudo parece desmoronar? Não se trata de justificar Man-su, mas de uma profunda reflexão sobre as pressões sociais e econômicas que levam indivíduos a situações extremas. É um exercício de imaginação sobre as complexidades da vida e do trabalho no século XXI.

Olhando para o futuro, Park Chan-wook já tem dois projetos engatilhados: um faroeste com roteiro já revisado e um filme de ação de ficção científica em fase de tratamento. Enquanto isso, “No Other Choice” estará em cinemas selecionados a partir de 25 de dezembro de 2025, com lançamento mais amplo previsto para janeiro de 2026. Acompanhe essa mente brilhante e sua visão única sobre os desafios humanos e tecnológicos.

Fonte: The Verge

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